O tomate (Solanum lycopersicum) cultivado no Brasil se divide em cinco tipos principais: Santa Cruz, Caqui, Holandês, Italiano e Cereja/Uva, cada um com uso comercial diferente, da salada ao molho industrial. 

Escolher a variedade certa depende do destino da produção, do sistema de cultivo (campo aberto ou protegido) e da tolerância a pragas e a doenças exigida pela região. 

Este guia apresenta os principais tipos de tomate cultivados no país, as cultivares nacionais desenvolvidas pela Embrapa e os maiores Estados produtores. 

Ficha rápida: tomate 

Nome comum Tomate 
Nome científico Solanum lycopersicum 
Tipos principais Santa Cruz, Caqui, Holandês, Italiano e Cereja/Uva 
Cultivares Embrapa BRS Kiara, BRS Zamir, BRS Imigrante, BRS Couto, BRS Montese 
Posição do Brasil  Entre os dez maiores produtores mundiais  
Principais Estados produtores  Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre outros 

Principais pontos 

  • O Brasil cultiva cinco tipos principais de tomate: Santa Cruz, Caqui, Holandês, Italiano e Cereja/Uva. 
  • O tipo Italiano é o mais indicado para molhos, por ter mais polpa e menos sementes. 
  • A Embrapa desenvolveu cultivares nacionais como BRS Kiara, BRS Zamir, BRS Couto e BRS Montese. 
  • O Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais de tomate. 
  • O licopeno do tomate é melhor aproveitado em molhos e extratos cozidos, não in natura

Quais os tipos de tomate cultivados no Brasil? 

O Brasil cultiva principalmente cinco tipos de tomate: Santa Cruz, Caqui, Holandês, Italiano e Cereja/Uva, cada um com características de sabor, formato e uso comercial diferentes. 

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre eles. 

Tipo Características Uso ideal 
Santa Cruz Sabor mais ácido, plantas de crescimento indeterminado Consumo geral, o mais acessível 
Caqui (Gaúcho) Sabor fresco, pouco adocicado, acidez equilibrada Vinagretes e saladas frescas 
Holandês Pouca acidez, sabor adocicado Saladas 
Italiano Formato alongado, mais polpa e menos sementes Molhos e sucos 
Cereja / Uva Pequenos, doces, grau Brix mais alto que o tradicional Consumo in natura, aperitivos e conservas 

Santa Cruz x Caqui: qual a diferença? 

O tomate Santa Cruz é o mais conhecido e mais barato do mercado, com plantas mais altas, crescimento indeterminado e frutos de sabor mais ácido. 

Já o tomate Caqui (ou Gaúcho) se destaca pelo sabor mais fresco, pouco adocicado, com acidez na medida certa, ótimo para vinagretes, mas menos indicado para molhosK.UHN Brasil 

Qual tomate é ideal para molho? 

O tomate Italiano é o mais indicado para molhos e sucos, por ter  mais polpa e menos sementes, características que facilitam o processamento industrial. 

Tomates tipo italiano (San Marzano) inteiros e cortados ao meio em fundo branco
Tomates tipo italiano (San Marzano) inteiros e cortados ao meio em fundo branco

O que torna o tomate cereja mais doce que o tradicional? 

O tomate cereja tem grau Brix entre 9 e 12, quase o dobro do tomate tradicional, que varia de 4 a 6. É essa maior concentração de açúcares que explica seu sabor mais doce. 

Segundo a Conecta Agro Brasil, os frutos variam de 3 a 10 cm de circunferência, com peso médio de 10 a 20 gramas, e a textura firme aliada à casca brilhante o torna ideal para consumo in natura, saladas, aperitivos e conservas. 

Como é feito o manejo de poda e desbrota do tomateiro? 

O manejo do tomateiro depende diretamente do hábito de crescimento da cultivar. Entender essa diferença ajuda a definir corretamente as práticas de poda e condução da lavoura. 

Poda x desbrota: qual a diferença 

A desbrota consiste na retirada dos brotos laterais que surgem nas axilas das folhas. Geralmente é feita quando eles ainda são pequenos, entre 2 e 10 cm de comprimento, para controlar o crescimento vegetativo. 

Já a poda, também chamada de capação ou desponta, elimina o broto terminal das hastes. É realizada exclusivamente em cultivares de crescimento indeterminado, e ajuda a controlar a altura da planta e o número de cachos produzidos. 

Quantas hastes deixar por planta 

Em cultivares de crescimento indeterminado, o tomateiro costuma ser conduzido com uma ou duas hastes por planta. Já cultivares de crescimento determinado podem ser conduzidas com quatro a seis hastes, já que dispensam a poda de condução. 

A escolha do número de hastes influencia diretamente o espaçamento adotado e o tamanho final dos frutos. Sistemas com menos hastes por planta tendem a produzir frutos maiores, voltados a mercados mais exigentes. 

Por que a poda de folhas também importa 

A retirada de folhas mais velhas, sobretudo na parte inferior da planta, melhora o arejamento e a entrada de luz. Isso dificulta a proliferação de doenças favorecidas pelo contato das folhas com o solo. 

É recomendável r higienizar os cortes com produtos à base de cobre, evitando a disseminação de patógenos entre plantas. 

Leia mais: Conheça as principais pragas do tomateiro e as técnicas de manejo indicadas 

Qual o espaçamento ideal para o cultivo do tomateiro? 

O espaçamento do tomateiro varia conforme o hábito de crescimento da cultivar e o número de hastes conduzidas. Ele influencia diretamente tanto a produtividade quanto a sanidade da lavoura. 

Em cultivares de crescimento indeterminado, costuma-se usar de 1,0 a 1,3 m entre fileiras e 0,3 a 0,7 m entre plantas, dependendo do número de hastes conduzidas. 

Em cultivares de crescimento determinado, o espaçamento entre fileiras é semelhante, mas a distância entre plantas costuma situar-se entre 0,35 e 0,45 m, já que a desbrota é feita apenas até o primeiro ramo floral. 

O espaçamento adotado também impacta diretamente a produtividade. Reduções no espaçamento entre plantas tendem a aumentar a produção total por área, embora possam reduzir o tamanho médio dos frutos. 

Como fazer a adubação do tomateiro? 

A adubação do tomateiro deve ser dividida entre uma aplicação de base e adubações de cobertura ao longo do ciclo. O planejamento correto acompanha o desenvolvimento da planta e a extração de nutrientes pelos frutos. 

A adubação de base costuma ser aplicada nos sulcos de plantio cerca de 10 dias antes do transplante das mudas. Isso evita que o fertilizante entre em contato direto com as raízes. 

Já as adubações de cobertura são geralmente parceladas em intervalos regulares, acompanhando o crescimento da planta. A maior demanda de nutrientes ocorre a partir do início da frutificação. 

Entre os nutrientes mais importantes para o tomateiro estão o nitrogênio, que influencia o crescimento vegetativo, o potássio, associado à qualidade e ao sabor dos frutos, e o fósforo, fundamental para o desenvolvimento radicular. 

Cultivo protegido x campo aberto: qual a diferença para o tomate? 

O cultivo protegido (em estufa) permite maior controle de temperatura, umidade e incidência de pragas e doenças, resultando em frutos de maior qualidade, mas exige investimento mais alto que o cultivo em campo aberto. 

A escolha do sistema depende do tipo de tomate, do destino da produção (mesa ou indústria) e do clima da região. 

Quais cultivares da Embrapa se destacam? 

A Embrapa desenvolveu cultivares nacionais de tomate adaptadas às condições ambientais do Brasil, com destaque para BRS Kiara, BRS Zamir, BRS Couto e BRS Montese. 

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o BRS Couto é do tipo  tipo minisaladete ou mini-italiano e tem maior longa vida estrutural, com coloração avermelhada intensa, enquanto o BRS Montese é do tipo italiano, com mais aroma, cor e sabor, indicado para saladas, molhos e sucos. 

O BRS Kiara é um híbrido do tipo Santa Cruz com alta resistência a doenças, e o BRS Zamir é do tipo uva, com elevado teor de licopeno e foco em cultivo protegido. 

Onde o Brasil mais produz tomate? 

Os principais Estados produtores de tomate no Brasil são Goiás, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)

Quais as principais pragas e doenças do tomateiro? 

O tomateiro é uma das culturas mais sensíveis a pragas e doenças da horticultura brasileira. Conhecer as principais ameaças ajuda a planejar o manejo integrado desde o início do ciclo. 

Traça-do-tomateiro e outras pragas-chave 

A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) é considerada uma das pragas mais importantes da cultura. Suas larvas abrem galerias nas folhas e perfuram frutos e ponteiros, podendo causar perdas expressivas quando não controladas a tempo, segundo a central de conteúdos Mais Agro. 

Além dela, pulgões, ácaros, mosca-branca e mosca-minadora completam a lista das pragas mais recorrentes. Muitas delas também são responsáveis por transmitir viroses que comprometem toda a lavoura. 

Requeima e pinta-preta: as doenças mais temidas 

Entre as doençasmais importantes, a requeima (Phytophthora infestans) é considerada a mais destrutiva. É capaz de dizimar uma lavoura inteira em poucos dias quando as condições de temperatura amena e umidade elevada favorecem o patógeno. 

Já a pinta-preta (Alternaria solani), também chamada de mancha-de-alternária, é mais frequente em períodos quentes e chuvosos. Pode comprometer boa parte da área foliar da planta, reduzindo sua capacidade fotossintética. 

Outras doenças relevantes incluem a septoriose, a murcha-bacteriana, o cancro-bacteriano e viroses transmitidas por insetos vetores, como o mosaico-dourado e a vira-cabeça. 

Como reduzir a pressão de pragas e doenças no tomateiro 

O manejo integrado de pragas (MIP) é a estratégia mais recomendada para o tomateiro. Combina monitoramento constante, uso racional de defensivos, rotação de culturas e eliminação de restos culturais após a colheita. 

O espaçamento adequado e a poda de folhas também contribuem para reduzir a umidade sobre a folhagem. Isso dificulta a proliferação de fungos. 

Qual a posição do Brasil na produção mundial de tomate? 

O Brasil está entre dez maiores produtores mundiais de tomate, segundo o IBGE. 

Como aproveitar melhor o licopeno do tomate? 

O licopeno,  um dos principais antioxidantes do tomate, é melhor aproveitado quando o fruto é consumido na forma de molhos e extratos cozidos, e não in natura. 

Isso acontece porque o calor rompe as paredes celulares do tomate e concentra o composto, facilitando sua absorção pelo organismo. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo que está acontecendo no campo. 

Perguntas frequentes

  1. Quais os principais tipos de tomate cultivados no Brasil? 

Santa Cruz, Caqui, Holandês, Italiano e Cereja/Uva. 

  1. Santa Cruz x Caqui: qual a diferença? 

O Caqui é mais fresco e pouco adocicado, ideal para vinagretes; o Santa Cruz é mais ácido e mais barato, o mais consumido no mercado. 

  1. Qual tomate é ideal para molho? 

O tomate Italiano, por ter mais polpa e menos sementes. 

  1. O que é o tomate uva? 

Um tipo pequeno, de formato ovalado e alongado, com sabor doce e concentrado e casca fina. 

  1. Por que o tomate cereja é mais doce que o tradicional? 

Tem grau Brix entre 9 e 12, quase o dobro do tomate tradicional (4 a 6), por isso concentra mais açúcar. 

  1. Qual a diferença entre cultivo protegido e campo aberto? 

O cultivo protegido (estufa) permite mais controle de temperatura, umidade, pragas e doenças, com frutos de maior qualidade, mas exige investimento mais alto. 

  1. Quais cultivares da Embrapa se destacam? 

BRS Kiara (tipo Santa Cruz), BRS Zamir (tipo uva, alto licopeno), BRS Couto (tipo tipo minisaladete ou mini-italiano) e BRS Montese (tipo italiano). 

  1. Quais os maiores Estados produtores de tomate? 

 Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre outros